EN
28/05/2018 - Fonte: O Globo Online | Música | BR

Harry Styles, ex-One Direction, espanta crise com show esgotado há um ano

Mais carismático integrante da boy band se apresenta no Rio neste domingo RIO A manchete do site do jornal argentino La Nación exaltava, na manhã da última quinta-feira, a arte de hipnotizar de Harry Styles, que cresceu e decidiu se mostrar ao mundo. Foi na lotada DirecTV Arena, em Buenos Aires, na véspera, que o cantor e compositor britânico revelado pela boyband One Direction abriu sua primeira turnê solo na América do Sul, que chega ao Rio, hoje, na Jeunesse Arena e passa ainda por São Paulo, terça-feira, no Espaço das Américas. Harry Styles para show para ajudar fã que passava mal Em tempos de crise, com ingressos para apresentações de atrações internacionais encalhando, Styles conseguiu algo marcante até para períodos mais amenos: todas as 23 mil entradas para os shows da turnê brasileira foram vendidos em poucos minutos, em junho passado, quase um ano antes da chegada do músico. A título de comparação, Niall Horan, outro integrante do One Direction, fará sua segunda passagem como artista solo pelo país no início de julho (leia mais ao lado), mas ainda é possível comprar ingressos para os shows no Rio (Km de Vantagens Hall, com metade da capacidade da Jeunesse Arena) e em São Paulo (no mesmo Espaço das Américas). Em qualquer boyband, sempre vai ter um preferido. Sempre foi bem claro que o Harry era o favorito da maioria dos fãs do grupo, e isso seguiu naturalmente na carreira solo aponta a estudante Marcela Bonafé, de 21 anos, que criou o fã-clube One Direction Brasil em 2010, quando o grupo ainda participava da edição britânica do reality musical The X factor. Onde estão os ex-parceiros de Harry StylesLiam Payne. No fim de abril, o cantor apresentou "Familiar", sua parceria com o astro do reggaeton J Balvin, terceiro single de seu álbum de estreia, que supostamente sairia em janeiro, mas foi adiado para setembro. Foto: Divulgação / Agência O GloboZayn. Anunciou sua saída do One Direction em março de 2015, criticando as músicas do grupo. Um ano depois, iniciava sua carreira solo com o álbum "Mind of mine", um r&b alternativo. Seu novo single, "Entertainer", saiu anteontem.Foto: Divulgação / Agência O GloboLouis Tomlinson. O mais velho do 1D, com 26 anos, é outro que ainda não tem disco solo, mas está trabalhando nele desde 2016. Diz que terá influência de Arctic Monkeys e Oasis. Lançou dois singles, um com Steve Aoki e outro com Bebe Rexha. Foto: Divulgação / Agência O GloboNiall Horan. Lançou, em outubro passado, seu primeiro álbum, "Flicker" (saiba mais ao lado), que vai trazer para shows no país em julho. Com o trabalho de pegada folk, está em intensa turnê mundial de divulgação.Foto: Divulgação/Raphael Dias / Raphael Dias1 de 4AnteriorPróximo Mas, afinal, o que Styles tem que Horan, Louis Tomlinson, Liam Payne e Zayn Malik (o único a abandonar o barco One Direction, ancorado em hiato desde agosto de 2015) não têm? Acho que a questão é que Harry é reconhecidamente uma estrela, o que significa que ele é alguém em quem as pessoas podem projetar as suas fantasias. Então, ele é um rapaz que os pais podem respeitar, que as garotas podem adorar, que os garotos podem olhar para procurar dicas de moda, e que mães podem secretamente ter pensamentos indecentes com ele explica Fraser McAlpine, jornalista inglês especialista em música pop que escreve para publicações como o jornal The Guardian, a revista NME e a rede BBC. Ele é dono também de beleza e carisma sobrenaturais, e de um senso de estilo matador, que o resto do One Direction, por mais que sejam garotos amáveis, não tem. Zayn foi o que chegou mais perto, mas Niall é apenas um menino bonito com uma voz doce. Harry Edward Styles, 24 anos, provoca todas essas reações enquanto mantém uma estratégica aura de mistério. Ele raramente dá entrevistas (nenhum veículo brasileiro pôde falar com ele para a turnê), evita polêmicas, é adepto de aparições públicas discretas e não é um heavy user de redes sociais. Nesse sentido, espelha-se em Prince, como contou para o cineasta Cameron Crowe (diretor do cult Quase famosos, de 2000), que assinou o perfil de Styles publicado na capa da edição americana da revista Rolling Stone, em abril do ano passado. Com um artista como Prince, tudo o que você queria fazer era saber mais sobre ele. E esse mistério torna essas pessoas tão mágicas! Tipo, porra, eu não sei o que Prince comia no café da manhã. É disso que eu gosto afirmou o jovem na época. Homenagem ao rock clássico Não é só ao abordar sua vida particular que Styles se espelha em ídolos do passado. Ao escrever músicas, também. Lançado há um ano, Harry Styles, seu álbum solo de estreia, teve boa recepção da crítica por, entre outras coisas, homenagear o rock clássico e exaltar sua voz excepcional, além de sua personalidade enigmática, como disse Jamieson Cox, do site Pitchfork. Ele lançou um álbum que prova que os flertes do 1D com o classic rock, como The Who e The Clash, não eram apenas o resultado de compositores e produtores tentando ser espertos, mas, sim, de um profundo apreço que ele tem pelo gênero exaltou McAlpine. É com o repertório de Harry Styles, responsável por arrebatar até mesmo um público mais velho, que torcia o nariz para o pop fabricado do One Direction, que o britânico volta ao Brasil hoje, quatro anos após uma turnê grandiosa com o grupo. No show de Buenos Aires, que teve cerca de uma hora e meia de duração, Styles e sua inclusiva banda (formada por quatro instrumentistas, duas mulheres e dois homens) tocaram todas as dez faixas do disco, além de covers de Ariana Grande e Fleetwood Mac. Para os fervorosos fãs de 1D, incluiu no setlist três músicas do grupo: Stockholm Syndrome, If I could fly e o megahit What makes you beautiful. Ao concluir sua lista de méritos de Harry Styles, McAlpine exaltou exatamente a relação do rapaz com seus admiradores (do sexo feminino, em grande maioria): Harry provou muitas vezes que entende o fanatismo adolescente. Ele defendeu as jovens fãs, exaltando seus gostos e sua inteligência (quem pode dizer que elas têm um gosto musical pior do que um cara hipster de 30 anos?, questionou Styles na entrevista a Cameron Crowe). E se nega a diminuir seu passado pop da maneira como outros ex-integrantes de boybands fazem (eu amo a banda, e não descarto nada no futuro. A banda mudou minha vida, me deu tudo, exaltou, também à Rolling Stone).