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09/07/2018 - Fonte: O Globo | Barra | BR

Jogos vorazes

Os eventos relacionados ao mundo dos games e dos esportes eletrônicos, os e-Sports, têm crescido ano após ano no Rio de Janeiro, e a área da Barra da Tijuca se consolidou como principal polo da cidade, recebendo grandes feiras e campeonatos internacionais. Somente neste semestre, serão realizadas as segundas edições da Geek & Game Rio Festival, no Riocentro, entre os dias 20 e 22 deste mês; e do Game XP, no Parque Olímpico, de 6 a 9 de setembro; e as finais da Pro League de Rainbow Six: Siege, campeonato mundial do jogo de tiro em primeira pessoa (em que o jogador se sente parte do game) da Ubisoft, que será disputado na Jeunesse Arena de 17 a 18 de novembro. No Geek & Game, serão disputadas as finais da primeira edição do Circuito Feminino de Rainbow Six, enquanto o Game XP sediará, no dia 9 de setembro, as finais do Brasileirão de Rainbow Six, principal competição nacional da modalidade. O calendário movimentado de eventos do tipo no bairro tem uma explicação: os organizadores argumentam que, além de espaços com grande capacidade de público, a Barra conta com equipamentos com boa infraestrutura, muitos deles utilizados durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016; acesso facilitado, após a chegada do metrô e do BRT; e serviços, como hotéis e restaurantes, de alto padrão. - A Barra oferece tudo que um evento de sucesso precisa ter: boas e confortáveis arenas para os espectadores, infraestrutura de hotéis e restaurantes e, o mais importante para nós, um público devoto e extremamente apaixonado - destaca Bertand Chaverot, diretor-geral da Ubisoft na América Latina, que também vê no Rio o potencial para se tornar uma das grandes capitais dos e-Sports no mundo nos próximos anos. O executivo destaca que as finais mundiais da Pro League na Barra serão o maior evento de Rainbow Six já realizado no mundo. E salienta a popularidade do jogo no Brasil, país onde os torneios da modalidade têm os maiores índices de audiência. A expectativa da Ubisoft é que mais de 24 mil pessoas compareçam aos dois dias das finais da Pro League. - O Brasil, tradicionalmente, é apaixonado por jogos de tiro em primeira pessoa. Houve o empenho dos times de marketing, negócios, operações e comunicação, que trabalharam em prol da construção do cenário competitivo no Brasil - destaca. - Também trabalhamos a imagem de ídolos do esporte eletrônico, fazendo-os se aproximar do público, como é o caso do Leo "Zigueira" Duarte, que tem mais de um milhão de seguidores no YouTube. Os motivos para o público comparecer à Jeunesse Arena vão além da grandiosidade do evento. Das oito equipes participantes da competição, definidas a partir de um etapa de qualificação, duas terão brasileiros, e as chances de um grupo local ganhar o segundo título mundial do Brasil na modalidade são altas. Em maio deste ano, na sétima temporada da Pro League, a Team Liquid, equipe inteiramente nacional, ganhou o primeiro mundial do Brasil. Além disso, o país foi vice-campeão em duas das três competições internacionais realizadas em 2017, ambas com a Black Dragons, o que o torna uma potência no cenário internacional do Rainbow Six. - Assim como acontece no futebol, temos jogadores entre os melhores do mundo. São os casos do Coldzera, do Counter Strike, e do André "Nesk" Oliveira, eleito o melhor jogador da última Pro League - defende Chaverot. O Game XP também encheu os olhos dos jogadores brasileiros no ano passado, quando foi apresentado ao público como uma das atrações do Rock in Rio: recebeu cerca de 316 mil pessoas. Agora, com uma área muito maior do Parque Olímpico à sua disposição e como um evento independente, oferecerá um número ainda maior de atrações com o objetivo de satisfazer tanto os fãs de games quanto os curiosos. Nesta edição, o evento, que promete inaugurar o primeiro game park do mundo, ocupará as Arenas Cariocas 1, 2 e 3 e transformará as instalações em palcos onde quem brilhará serão os jogadores de games eletrônicos. - O evento do ano passado superou totalmente as nossas expectativas. Percebemos que havia uma demanda e uma curiosidade enormes por esse tipo de conteúdo, e teremos atividades que agradarão ao fã de eSports, ao gamer profissional, ao fã casual e até a pessoa que só joga pelo celular. - diz a diretora-geral do Game XP, Roberta Coelho. Tudo o que foi visto na primeira edição do Game XP, garante Roberta, será ampliado. A Arena e-Sports, que, além das finais do Brasileirão de Rainbow Six, receberá uma etapa do Campeonato Mundial de Just Dance, terá sua capacidade aumentada de 1.500 para quatro mil lugares. A tela de games será a maior da história dos eventos gamers, com 1.500 metros quadrados de área de projeção, e a game zone terá o dobro do tamanho. Roberta destaca que o Parque Olímpico é o melhor lugar da cidade para receber o evento. - O Parque Olímpico dá um conforto adicional ao público pela sua vasta área e por suas ótimas instalações. Além da facilidade de chegar e sair, devido ao serviço de transporte público, ele foi projetado levando-se em conta a acessibilidade, o que o torna mais confortável para deficientes físicos. Para atrair cerca de cem mil pessoas nos quatro dias de evento, a organização do Game XP aposta que o feriadão de 7 de setembro também ajudará a atrair um grande contingente de turistas aficionados por games. Embora já esteja confirmada a edição de 2019 novamente dentro do Rock in Rio, a ambição é colocar o Game XP no calendário de grandes eventos da cidade. - Estarmos associados ao Rock in Rio foi ótimo, mas podermos voar sozinhos também será incrível. Nossa criatividade não tem limites, e o público vai pirar com tudo o que traremos - promete Roberta. Diretora de Núcleo da GL Events, empresa que organiza o Geek & Game Rio Festival, Tatiana Zaccaro projeta que, na edição deste ano, mais de 30 mil pessoas passem pela feira, onde estão reunidos games e elementos da cultura pop. Ela ressalta que o crescimento de eventos deste tipo no Rio é um reflexo do amplo mercado consumidor de jogos da cidade. Em São Paulo, eles já são uma tradição. - Cariocas não são menos aficionados por games do que os paulistas. O Geek & Game 2018 terá, inclusive, uma área dedicada a jogos criados no Rio de Janeiro enfatiza. - Desde o ano passado, a cidade entrou na rota dos eventos gamers, e o público tem respondido positivamente. A área de e-Sports, por exemplo, já está consolidada, com um público que cresce ano a ano. Já percebemos, por estas duas edições, que há uma grande demanda neste setor, e pretendemos continuar investindo em atrações do tipo.