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06/03/2016 - Fonte: O Globo Online

Ícone da música romântica, Lionel Richie volta ao Brasil nesta semana

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Cantor americano diz ser fã de Ana Carolina, Daniela Mercury, Maria Rita e Elis Regina

RIO - Dois eventos recentes mostraram que Lionel Richie, um dos grandes nomes da black music romântica americana nos anos 1980, pode ser considerado também um ícone cult nostálgico. Em junho passado, ele se apresentou para mais de 150 mil pessoas no festival inglês Glastonbury, batendo o recorde de público da edição. E, na cerimônia do Grammy, em fevereiro, artistas como Demi Lovato, Meghan Trainor e John Legend provaram, em tributo aos quase 50 anos de carreira do cantor, que sua música segue inspirando novas gerações. Aos 66 anos, ele está no Brasil para fazer três shows nesta semana (hoje, em Curitiba; terça, no Rio; e quarta, em São Paulo) pela turnê "All hits, all night long". Antes da viagem, ele conversou com O GLOBO.

Glastonbury

"Foi o momento mais inesperado da minha carreira. Eu não imaginava ver tanta gente e tanto entusiasmo, mas a multidão estava definitivamente inspirada naquele dia. E, acredite ou não, a idade do público variava entre 9 e 90 anos. Foi incrível".

Homenagem no Grammy

"A maior honra que eu tenho, como artista, é acumular fãs há mais de 40 anos, pessoas que amam minha música. Mas aquela era a Academia, aqueles eram meus companheiros de profissão. Saber que eles apreciam seu trabalho a ponto de te homenagear daquela maneira é, sem dúvida, especial".

Legado

"Pelas minhas contas, esta pode ser considerada a terceira geração que é tocada pelas minhas canções. Por alguma razão, eles ainda acham que minha música é relevante em suas vidas. Ainda me surpreendo quando sei que pessoas se casaram ao som de "Endless love" ou "Truly", que fizeram festas com "All night long" e vão para a escola ouvindo "Brickhouse". A música sobrevive, assim como a mensagem".

Artistas pop que admira

"O John Legend tem feito um grande trabalho, assim como Bruno Mars, The Weeknd e Adele. São quatro bons exemplos de quem tem apresentado ótimas melodias à nova geração".

Memórias marcantes

"Nunca mais vou falar com você (ri, ao ser lembrado que está prestes a completar 50 anos de carreira). Mas a melhor coisa que já me aconteceu foi descobrir essa banda maravilhosa chamada The Commodores (liderada por Richie até 1983). A segunda, sem dúvida, foi a apresentação nos Jogos Olímpicos (de Los Angeles, em 1984). E, por fim, ter participado da criação da canção "We are the world" (1985)".

Música brasileira

"Adoro a Ana Carolina, a Daniela Mercury, que é incrível, e a Maria Rita, filha de Elis Regina, outra artista maravilhosa. Sempre que volto ao Brasil há algum grupo ou subgênero que nasceu aí. Estou ansioso para ver o que descubro desta vez".

Black music atual

"Temos que trazer de volta a importância da melodia à black music. As produções, hoje, são pouco harmonizadas, pasteurizadas... O rap apareceu, e é muito importante, mas dissolveu a parte melódica do r & b de anos atrás. Estamos muito distantes do que Whitney Houston e Mariah Carey faziam, por exemplo".

Futuro após a turnê

"Fiz mais de 125 shows pelo mundo com esta turnê, e a intenção é fazer mais 125 milhões de apresentações depois disso (risos). Sempre que penso que já fiz o suficiente, os fãs pedem mais. Então, vou lá e rodo o mundo de novo. Tenho vontade de rodar mais pelo Oriente Médio, por exemplo, onde tenho um público gigantesco. E prometo não demorar tanto para voltar à América do Sul (Richie não se apresenta no Brasil desde agosto de 2010)".

Popularidade no Oriente Médio

"Se eu tivesse alguma ideia de que como consigo ser tão popular no Oriente Médio, eu provavelmente usaria um chiclete para lacrar esta resposta (risos). Mas a verdade é que é um fenômeno para mim tanto quanto para você. Posso dizer que toda a região sabe cantar a íntegra de todas as letras que eu já escrevi na vida. E, além de tudo, em locais que músicas ocidentais provavelmente sequer são permitidas. Eu já fui a Dubai, Arábia Saudita, Bahrein, Abu Dhabi...".

Possibilidade de show em Bagdá

"Eu tenho certeza que um dia tocarei em Bagdá, mas, para isso, o lugar precisa estar um pouco mais seguro. Tenho muitos fãs em áreas de guerra e fico realmente triste por eles não poderem curtir tanto a música quanto os outros podem".

Significado do trecho em "africanês" de "All night long"

"Eu fui exposto depois de todos esses anos (risos). Alguém me perguntou o que aquilo significava, e eu respondi: 'bom, eu meio que criei esta parte, porque lembrei que existem 101 dialetos na África. O que significa que existem 101 versões para o que eu quisesse que aquilo significasse. Então, para fazer todo mundo ficar na mesma página, eu faria existir, a partir daquele momento, 102 dialetos, criando o meu'. Com isso, digo que aquilo significa 'festa contagiante' no dialeto de Lionel Richie".

Genro roqueiro

"Primeiramente, eu amo Joel (Madden, vocalista da banda de pop punk Good Charlotte e marido de Nicole Richie), amo Benji (irmão de Joel e guitarrista do grupo) e amo o Good Charlotte. Acredite ou não, eles me fizeram prestar atenção na música deles. Porque, é claro, quando um cara entra na sua porta e diz que quer casar com a sua filha, você automaticamente faz uma pesquisa para saber quem diabos é ele. Mas ele é um querido, um grande compositor e um bom pai para os meus netos. Eu estudo suas músicas e espero que a gente possa escrever algo juntos logo. Enrolei muito tempo, mas agora eu posso voltar e, enquanto sogro, impor isso a ele".

SERVIÇO

Lionel Richie

Onde:HSBC Arena - Av. Embaixador Abelardo Bueno, 3.401, Barra (2430-1750).

Quando: na terça, às 22h.

Quanto: de R$ 380 a R$ 680.

Classificação: 16 anos.

Luccas Oliveira