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06/03/2016 - Fonte: Folha.com

Com popularidade renovada, Lionel Richie traz karaokê do amor ao Brasil

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Atenção, jovens compositores! Lionel Richie dá a dica para vender discos: faça letras com frases que nunca envelhecem, como "eu te amo" e "não se vá". "Lembre-se: o amor nunca sai de moda!", diz, aos 66. E ele entende sobre canções de sucesso, tendo vendido 100 milhões de discos nos últimos 48 anos.

Lionel Richie estreia neste domingo (6) sua nova turnê brasileira, no Teatro Positivo, em Curitiba. As datas incluem ainda Rio de Janeiro (8/3, na HSBC Arena) e São Paulo (9/3, no Ginásio do Ibirapuera). É a segunda turnê brasileira do cantor, que já esteve por aqui em 2010.

"Aquela turnê de 2010 foi minha primeira vez no Brasil. Eu disse, à época, que havia demorado demais para ir ao Brasil, e era verdade. Agora volto, seis anos depois, e não acredito que estarei por aí. Eu amo o Brasil, amo as pessoas, a comida, a música e a diversão. O Brasil é contagiante. Sempre me pergunto por que demoro tanto a voltar."

Lionel Richie durante show em Viña del Mar, no Chile, em fevereiro

O cantor promete incluir "algumas surpresas" no repertório, mas diz que o público não pode sair do show sem ouvir sucessos como "Three Times a Lady", "Hello", "Say You, Say Me", "Easy" e "All Night Long".

"Não é fácil fazer o repertório de meus shows. Tenho duas horas e meia a três horas de canções que todo mundo conhece e quer ouvir, então selecionar o setlist perfeito é muito difícil. E o público quer ouvir aquelas mesmas canções de novo e de novo. As pessoas nunca se cansam de suas preferidas. Mas a maior surpresa nunca é o show que fazemos no palco, e sim a plateia cantando todas as canções junto. Meu show é como um karaokê gigante!"

Richie está em ótima fase após o sucesso de seu mais recente álbum, "Tuskegee" (2012), em que gravou antigos sucessos em duetos com 13 artistas famosos da música country americana, como Shania Twain, Willie Nelson e Blake Shelton. O disco chegou ao topo da parada da revista "Billboard", o que não acontecia com o cantor há 25 anos.

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No ano passado, Lionel Richie fez um show no festival de Glastonbury, na Inglaterra, que consagrou sua renovada popularidade.

"Aquilo foi uma festa surpresa! Antes do show, disseram que ia cair um temporal e que seria o show mais enlameado da história. Cheguei lá, o sol brilhava, havia 150 mil pessoas, um monte de gente vestida que nem eu, muita gente com penteados afro, e as 150 mil pessoas cantaram todas as músicas. Nunca vou esquecer esse show. O público era muito diversificado --havia fãs de sete a 70, todos cantando e dançando. Foi provavelmente o maior tributo à minha carreira que já recebi".

Richie, que se diz fã de Adele e Bruno Mars, conta que tem planos de se apresentar em Bagdá, onde tem muitos fãs.

"Nos anos 1970, 1980 e 1990, minha música chegava muito ao Oriente Médio, mas eu não sabia como tinha chegado lá", conta. "Não tocava em rádios árabes, mas tornou-se incrivelmente popular. Isso ainda me surpreende."

"Toda vez que vou a Abu Dhabi ou Dubai, as pessoas me contam histórias de como casaram ouvindo minhas músicas, iam à escola ouvindo minhas músicas e aprenderam inglês ouvindo minhas músicas. Espero um dia, assim que as situações de conflito no Oriente Médio acalmarem, poder tocar em Bagdá e outras cidades. Meus fãs árabes merecem."

Sobre a longevidade de suas canções, tem uma explicação simples: "Minha música fala de eventos do dia a dia e traz histórias e frases que nunca sairão de moda".

"Dizer 'I love you' [eu te amo] nunca sairá de moda, ou 'please don't leave' [por favor, não vá], 'all night long' [a noite toda], 'easy like Sunday morning' [tranquilo como uma manhã de domingo]... São frases que você diz todo dia de sua vida, de alguma forma", diz. "Essas histórias se hoje e se aplicarão por gerações e gerações."