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20/12/2017 - Fonte: Folha.com | Ilustrada | BR

Banda que mais vezes visitou o Brasil, Deep Purple começa a se aposentar

Na noite desta quarta (13), quando o sistema de som do Allianz Park tocar os primeiros acordes de "Marte, o Portador da Guerra", de Holst, o grupo inglês Deep Purple pode estar começando a se despedir dos fãs de São Paulo. Quinquagenária em abril, a banda anunciou há um ano que faria sua possível última turnê ("The Long Goodbye Tour"), como alardeavam os cartazes na Europa. O título original da turnê é uma pegadinha: ninguém sabe quanto tempo vai durar o longo adeus. Nem mesmo Ian Gillan (voz), Roger Glover (baixo), Ian Paice (bateria), Steve Morse (guitarra) e Don Airey (teclado). Em entrevista recente, Gillan brincou que eles são mal empresariados demais para cravar uma data final, mas sabem que logo a idade mostrará as garras. Todos já têm direito ao passe livre no ônibus -Morse, o caçula, tem 63 anos-, mas pela energia no palco dá inferir que o passe dele é escolar. O mais recente disco, "Infinite", de abril, foi considerado um dos melhores de 2017 pela revista "Classic Rock". Ouça no deezer O álbum foi lançado aqui por um selo que praticamente só chega à Galeria do Rock. Na Europa, porém, esteve entre os mais vendidos do primeiro semestre. Tem tudo o que se espera do Deep Purple: riffs pesados, duelos de solos, senso de humor -e a dupla dinâmica Gillan e Glover nas letras. Está disponível em todos os serviços de streaming. No Brasil, só se encontra "Machine Head" (1972). Cinco das sete faixas do mais famoso disco da banda estão no set list ouvido no Chile e na Argentina. Do novo, nos shows da América do Sul, apenas "Birds of Prey", que tem provavelmente o mais belo solo que Steve Morse já gravou com o grupo desde 1994. Desde a primeira turnê brasileira, em agosto de 1991, até esta noite, o Deep Purple foi a banda que mais vezes visitou o Brasil. Roger Glover e Ian Paice, únicos membros que estiveram em todas as turnês, terão tocado "Smoke on the Water" 68 vezes por aqui.