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20/12/2017 - Fonte: Diario do Pará - Online | PA

Solid Rock: Deep Purple dá aula de Rock em show no Rio de Janeiro

Uma noite comandada por dinossauros do rock. Assim pode ser definido o evento Solid Rock, que reuniu, na última sexta-feira (15 de Dezembro), milhares de apaixonados pelo Deep Purple na Jeunesse Arena, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Por volta de 19h30, quando o movimento no entorno do Parque Olímpico era pequeno, os americanos do Tesla, estreantes em solo nacional (assim como o Cheap Trick, que se apresentou mais tarde), subiram ao palco diante de uma plateia em número reduzido. No entanto, a banda liderada pelo vocalista Jeff Keith não deixou a peteca cair em nenhum instante e animou o público durante mais de uma hora. Entre as músicas que mais se destacaram de seu repertório estavam "The Way It Is", "Love Song" e "Modern Day Cowboy". Quando o relógio marcava pouco mais de 21h, uma narração em português anunciava o Cheap Trick, substituto de última hora do Lynyrd Skynyrd, como "a banda mais foda do mundo". Ainda com a arena cheia de espaços vazios, o quarteto de Chicago abriu sua apresentação com a potente "Hello There", presente no álbum In Color, de 1977. O grupo, sob o comando do vocalista Robin Zander, seguiu atraindo a atenção da plateia com hits como "She's Tight", "In the Street" (cover de Big Star conhecido pela abertura do seriado "That '70s Show"), "The Flame", "I Want You to Want Me", "Dream Police" e "Surrender". Como de praxe, o Cheap Trick encerrou o show ao som de "Goodnight Now", uma releitura de "Hello There" criada pelo grupo para finalizar suas apresentações. Às 22h58, dois minutos antes do horário previsto para o início do show do Deep Purple, os alto-falantes da Jeunesse Arena anuciavam a entrada da banda britânica através da clássica "Mars, the Bringer of War", de Gustav Holst. Quem saiu para comprar bebida ou ir ao banheiro então correu para não perder o começo do show. Diante de 10 mil pessoas, Ian Gillan (vocal), Steve Morse (guitarra), Roger Glover (baixo), Don Airey (teclado) e Ian Paice (bateria) logo executaram a dobradinha de "Highway Star" e "Pictures of Home", ambas do disco Machine Head, lançado em 1972. Na plateia, fãs de todas as idades (de adolescentes a setentões) pareciam incrédulos ao testemunhar o vigor admirável de uma banda com quase 50 anos de carreira. O setlist continuou poderoso com "Bloodsucker", do álbum In Rock (1970), e "Strange Kind of Woman", de Fireball (1971). Em seguida, Gillan finalmente se dirigiu ao público. O cantor, em uma das raras interações ao longo do show, disse que a próxima canção seria "Uncommon Man" e a dedicou a Jon Lord, tecladista membro fundador do Purple (1968-2002) e que morreu vítima de câncer em 2012. A faixa abriu espaço para que o substituto de Lord, Airey, desse uma "palhinha" do seu virtuosismo em um solo mais curto. Na sequência do repertório, vieram "Lazy", "Birds of Prey", do disco mais recente da banda, Infinite (2017), e "Knocking at Your Backdoor", do disco Perfect Strangers, de 1984. Para dar continuidade à apresentação, era chegada a hora do solo completo de teclado. Don Airey mostrou todo o seu talento no domínio do instrumento e arrancou muitos gritos e aplausos da plateia, embasbacada com a precisão técnica do músico. Pouco depois, a execução de "Perfect Strangers" marcou um dos pontos mais altos da noite, com os fãs se entregando à canção. A empolgação do público seguiu com "Space Truckin"", em que os fãs, no refrão, fizeram o tradicional coro C'mon, e "Smoke on the Water", quando o riff de guitarra da faixa, um dos mais icônicos da história do rock, levou o público a empunhar suas airs guitars. A execução do maior sucesso do Deep Purple também contou com a presença do guitarrista do Cheap Trick, Rick Nielsen, que dividiu as atenções com Morse. Que momento! Dando tempo para qualquer um se recuperar, o Deep Purple deixou o palco à 00h17, voltando alguns minutos depois, para delírio da plateia. "Hush", cover de Joe South, e "Black Night", foram as faixas escolhidas para fechar o setlist, após 1h40 de apresentação. Quem tinha dúvidas de que o Purple poderia entregar um dos melhores shows do ano, certamente deixou a arena com outro pensamento. É bem verdade que Gillan, do alto dos seus 72 anos, precisa sair de cena diversas vezes para descansar a voz, porém, quando o dever lhe chama, dá conta do recado a cada nota mais alta. Além disso, seus companheiros sabem muito bem como entreter a plateia quando estão sozinhos no palco. Em resumo, a turnê atual do Deep Purple pode se chamar "The Long Goodbye", mas o grupo, definitivamente, tem fôlego para adicionar mais alguns capítulos à biografia.