Como funciona o reajuste do plano de saúde empresarial



Guia prático para RH, Financeiro e gestores: tipos de reajuste, fórmulas, prazos, auditoria, negociação e estratégias para controlar custos sem perder qualidade assistencial.

As regras variam conforme contrato, produto, praça e operadora. Consulte sempre a sua apólice e aditivos.

Índice

  1. Visão geral
  2. Tipos de reajuste no empresarial
  3. Reajuste por sinistralidade: como se calcula
  4. Reajuste por variação de custos médicos (VCMH)
  5. Reajuste por faixa etária
  6. Prazos, vigência e comunicação
  7. Auditoria do reajuste (passo a passo)
  8. Negociação e alternativas contratuais
  9. Estratégias para reduzir o impacto
  10. Erros comuns e como evitar
  11. Perguntas frequentes
  12. Conclusão e próximos passos

Visão geral

Nos planos de saúde empresariais, o preço evolui ao longo do tempo por três vetores principais: reajuste anual (normalmente associado à sinistralidade e/ou à variação de custos médicos), mudança de faixa etária (por beneficiário) e movimentos do grupo (entradas/saídas, upgrades de rede/acomodação). Entender cada componente permite prever e negociar melhor.

Tipos de reajuste no empresarial

  • Anual por sinistralidade e/ou VCMH: revisa as mensalidades do contrato uma vez ao ano, com base no uso do grupo (sinistros) e na inflação médica (custos).
  • Faixa etária (por beneficiário): adequa o valor quando o usuário muda de faixa (até 59 anos). Regras específicas se aplicam para idosos e contratos antigos/novos.
  • Revisões extraordinárias: podem ocorrer em aditivos (ex.: mudança de rede, acomodação, inclusão de coberturas), não sendo “reajuste anual” clássico.

Reajuste por sinistralidade: como se calcula

De forma simplificada, a sinistralidade é a relação entre o que o grupo utilizou e o que pagou:

Sinistralidade (%) = (Despesas assistenciais do período ÷ Prêmio arrecadado no período) × 100
    

Despesas assistenciais incluem contas hospitalares, consultas, exames e reembolsos (descontadas glosas/recursos). Prêmio é o total de mensalidades pagas (sem tributos/encargos, conforme contrato).

Faixas de gatilho (exemplo ilustrativo)

Sinistralidade apuradaDiretriz de reajuste anual (exemplo)
< 60%Reajuste inferior ao VCMH de mercado
60%–75%Reajuste moderado (VCMH ± ajuste técnico)
75%–85%Reajuste por VCMH + fator de sinistralidade
> 85%Reajuste elevado / plano de ação assistencial

Observação: as faixas e fórmulas variam por operadora e contrato. Alguns modelos usam tabelas de gatilho, outros aplicam rateio de tendência ou métodos atuariais próprios.

Reajuste por variação de custos médicos (VCMH)

O VCMH reflete a inflação médica, impactada por: tecnologia/insumos, mix de procedimentos, negociações com hospitais, câmbio (materiais importados) e judicialização. Em muitos contratos, o reajuste anual combina:

  • VCMH projetado para o próximo período,
  • + correção de sinistralidade apurada,
  • ± ajustes de rede e governança (próprios de cada apólice).

Reajuste por faixa etária

Aplica-se individualmente quando o beneficiário completa determinada idade (ex.: 19, 24, 29, 34, 39, 44, 49, 54, 59 etc., conforme tabela do produto). Diretrizes gerais:

  • Progressividade limitada: a razão entre a primeira e a última faixa possui limite (conforme tabela regulatória do produto).
  • Idosos e contratos antigos: há regras que restringem reajuste por idade para beneficiários com longo tempo de vínculo e idade avançada, conforme legislação específica.
  • Transparência: a tabela de faixas deve constar na proposta/condições gerais.

Prazos, vigência e comunicação

  • Data-base: o reajuste anual ocorre na renovação contratual (12 meses de vigência), com comunicação prévia ao estipulante (empresa).
  • Competência: a nova mensalidade passa a valer a partir do mês/competência definido na carta de reajuste.
  • Transparência: recomenda-se que a operadora envie memória de cálculo (sinistros, base de prêmio, composição do índice).

Auditoria do reajuste (passo a passo)

  1. Solicite a memória de cálculo: sinistros por competência, prêmio arrecadado, reembolsos, glosas e a fórmula aplicada.
  2. Confira a base de vidas: elegibilidade (entradas/saídas), faixas etárias e dependentes.
  3. Valide a sinistralidade: reconcilie com faturas, relatórios por beneficiário e extratos de coparticipação.
  4. Analise a tendência: eventos de alto custo, frequência de pronto atendimento, terapias crônicas, materiais especiais.
  5. Isolamento de efeitos: segregue upgrades de rede/acomodação para não contaminarem o índice anual.
  6. Projete cenários: simule alternativas (coparticipação, redes, programas de saúde) e seu impacto no índice.

Negociação e alternativas contratuais

  • Coparticipação calibrada: reduz prêmio fixo e melhora o comportamento de uso (sem criar barreiras excessivas).
  • Rede referenciada/segmentada: trocas de hospitais premium para rede adequada ao perfil reduzem pressão no índice.
  • Gestão de crônicos e atenção primária: diminui internações evitáveis e exames redundantes.
  • Coaching de sinistralidade: planos de ação acordados (telemedicina, PA digital, segunda opinião).
  • Franquias/reembolsos: revisar reembolsos generosos e franquias para evitar uso ineficiente.
  • Concorrência: use RFP (2–4 operadoras) para obter proposta técnica e comercial comparável.

Estratégias para reduzir o impacto

  1. Educação de uso: comunicação recorrente sobre canais corretos (telemedicina, rede de referência).
  2. Direcionamento inteligente: protocolos para exames/imagens, parceiros preferenciais e gestão de OPME.
  3. Saúde mental e crônicos: programas estruturados reduzem absenteísmo e sinistros severos.
  4. Revisão anual de elegibilidade: manter a base limpa evita cobrança indevida.
  5. Acompanhamento mensal: comitê RH–operadora/corretora para evitar “susto” na renovação.

Erros comuns e como evitar

  • Negociar apenas preço: sem mexer no mix de uso, o custo volta a subir no ciclo seguinte.
  • Falta de dados: decidir sem relatórios/indicadores aumenta risco de um índice desalinhado.
  • Coparticipação punitiva: percentuais muito altos elevam insatisfação e não atacam as causas dos sinistros.
  • Upgrades sem controle: mudar rede/acomodação sem medir impacto pressiona reajustes futuros.

Perguntas frequentes

1) Todo plano empresarial tem reajuste por sinistralidade?

É muito comum, mas o formato varia. Alguns combinam VCMH + sinistralidade; outros usam fórmulas atuariais específicas. Consulte seu contrato.

2) O reajuste por faixa etária é automático?

Sim, quando o beneficiário muda de faixa prevista em tabela. A regra e os percentuais constam na proposta/condições gerais.

3) Posso contestar o índice anual?

Sim. Solicite memória de cálculo, audite a base e apresente contraproposta com alternativas de gestão de risco.

4) Trocar de operadora resolve o problema?

Ajuda no curto prazo se houver melhor rede/preço, mas sem gestão do uso a sinistralidade volta a pressionar.

5) Pequenos grupos têm regra diferente?

Grupos pequenos costumam ter menos poder de barganha e maior volatilidade; negociar rede, coparticipação e programas de saúde é ainda mais importante.

Conclusão e próximos passos

O reajuste do plano empresarial resulta de sinistralidade, inflação médica e demografia do grupo. Com dados auditados, negociação técnica e gestão de saúde, é possível reduzir o índice e garantir previsibilidade orçamentária.

Quer apoio? Nossa consultoria audita o índice, conduz RFP entre operadoras e implanta um plano de ação assistencial para estabilizar custos.

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