Guia prático para RH, Financeiro e gestores: tipos de reajuste, fórmulas, prazos, auditoria, negociação e estratégias para controlar custos sem perder qualidade assistencial.
As regras variam conforme contrato, produto, praça e operadora. Consulte sempre a sua apólice e aditivos.
Índice
- Visão geral
- Tipos de reajuste no empresarial
- Reajuste por sinistralidade: como se calcula
- Reajuste por variação de custos médicos (VCMH)
- Reajuste por faixa etária
- Prazos, vigência e comunicação
- Auditoria do reajuste (passo a passo)
- Negociação e alternativas contratuais
- Estratégias para reduzir o impacto
- Erros comuns e como evitar
- Perguntas frequentes
- Conclusão e próximos passos
Visão geral
Nos planos de saúde empresariais, o preço evolui ao longo do tempo por três vetores principais: reajuste anual (normalmente associado à sinistralidade e/ou à variação de custos médicos), mudança de faixa etária (por beneficiário) e movimentos do grupo (entradas/saídas, upgrades de rede/acomodação). Entender cada componente permite prever e negociar melhor.
Tipos de reajuste no empresarial
- Anual por sinistralidade e/ou VCMH: revisa as mensalidades do contrato uma vez ao ano, com base no uso do grupo (sinistros) e na inflação médica (custos).
- Faixa etária (por beneficiário): adequa o valor quando o usuário muda de faixa (até 59 anos). Regras específicas se aplicam para idosos e contratos antigos/novos.
- Revisões extraordinárias: podem ocorrer em aditivos (ex.: mudança de rede, acomodação, inclusão de coberturas), não sendo “reajuste anual” clássico.
Reajuste por sinistralidade: como se calcula
De forma simplificada, a sinistralidade é a relação entre o que o grupo utilizou e o que pagou:
Sinistralidade (%) = (Despesas assistenciais do período ÷ Prêmio arrecadado no período) × 100
Despesas assistenciais incluem contas hospitalares, consultas, exames e reembolsos (descontadas glosas/recursos). Prêmio é o total de mensalidades pagas (sem tributos/encargos, conforme contrato).
Faixas de gatilho (exemplo ilustrativo)
| Sinistralidade apurada | Diretriz de reajuste anual (exemplo) |
|---|---|
| < 60% | Reajuste inferior ao VCMH de mercado |
| 60%–75% | Reajuste moderado (VCMH ± ajuste técnico) |
| 75%–85% | Reajuste por VCMH + fator de sinistralidade |
| > 85% | Reajuste elevado / plano de ação assistencial |
Observação: as faixas e fórmulas variam por operadora e contrato. Alguns modelos usam tabelas de gatilho, outros aplicam rateio de tendência ou métodos atuariais próprios.
Reajuste por variação de custos médicos (VCMH)
O VCMH reflete a inflação médica, impactada por: tecnologia/insumos, mix de procedimentos, negociações com hospitais, câmbio (materiais importados) e judicialização. Em muitos contratos, o reajuste anual combina:
- VCMH projetado para o próximo período,
- + correção de sinistralidade apurada,
- ± ajustes de rede e governança (próprios de cada apólice).
Reajuste por faixa etária
Aplica-se individualmente quando o beneficiário completa determinada idade (ex.: 19, 24, 29, 34, 39, 44, 49, 54, 59 etc., conforme tabela do produto). Diretrizes gerais:
- Progressividade limitada: a razão entre a primeira e a última faixa possui limite (conforme tabela regulatória do produto).
- Idosos e contratos antigos: há regras que restringem reajuste por idade para beneficiários com longo tempo de vínculo e idade avançada, conforme legislação específica.
- Transparência: a tabela de faixas deve constar na proposta/condições gerais.
Prazos, vigência e comunicação
- Data-base: o reajuste anual ocorre na renovação contratual (12 meses de vigência), com comunicação prévia ao estipulante (empresa).
- Competência: a nova mensalidade passa a valer a partir do mês/competência definido na carta de reajuste.
- Transparência: recomenda-se que a operadora envie memória de cálculo (sinistros, base de prêmio, composição do índice).
Auditoria do reajuste (passo a passo)
- Solicite a memória de cálculo: sinistros por competência, prêmio arrecadado, reembolsos, glosas e a fórmula aplicada.
- Confira a base de vidas: elegibilidade (entradas/saídas), faixas etárias e dependentes.
- Valide a sinistralidade: reconcilie com faturas, relatórios por beneficiário e extratos de coparticipação.
- Analise a tendência: eventos de alto custo, frequência de pronto atendimento, terapias crônicas, materiais especiais.
- Isolamento de efeitos: segregue upgrades de rede/acomodação para não contaminarem o índice anual.
- Projete cenários: simule alternativas (coparticipação, redes, programas de saúde) e seu impacto no índice.
Negociação e alternativas contratuais
- Coparticipação calibrada: reduz prêmio fixo e melhora o comportamento de uso (sem criar barreiras excessivas).
- Rede referenciada/segmentada: trocas de hospitais premium para rede adequada ao perfil reduzem pressão no índice.
- Gestão de crônicos e atenção primária: diminui internações evitáveis e exames redundantes.
- Coaching de sinistralidade: planos de ação acordados (telemedicina, PA digital, segunda opinião).
- Franquias/reembolsos: revisar reembolsos generosos e franquias para evitar uso ineficiente.
- Concorrência: use RFP (2–4 operadoras) para obter proposta técnica e comercial comparável.
Estratégias para reduzir o impacto
- Educação de uso: comunicação recorrente sobre canais corretos (telemedicina, rede de referência).
- Direcionamento inteligente: protocolos para exames/imagens, parceiros preferenciais e gestão de OPME.
- Saúde mental e crônicos: programas estruturados reduzem absenteísmo e sinistros severos.
- Revisão anual de elegibilidade: manter a base limpa evita cobrança indevida.
- Acompanhamento mensal: comitê RH–operadora/corretora para evitar “susto” na renovação.
Erros comuns e como evitar
- Negociar apenas preço: sem mexer no mix de uso, o custo volta a subir no ciclo seguinte.
- Falta de dados: decidir sem relatórios/indicadores aumenta risco de um índice desalinhado.
- Coparticipação punitiva: percentuais muito altos elevam insatisfação e não atacam as causas dos sinistros.
- Upgrades sem controle: mudar rede/acomodação sem medir impacto pressiona reajustes futuros.
Perguntas frequentes
1) Todo plano empresarial tem reajuste por sinistralidade?
É muito comum, mas o formato varia. Alguns combinam VCMH + sinistralidade; outros usam fórmulas atuariais específicas. Consulte seu contrato.
2) O reajuste por faixa etária é automático?
Sim, quando o beneficiário muda de faixa prevista em tabela. A regra e os percentuais constam na proposta/condições gerais.
3) Posso contestar o índice anual?
Sim. Solicite memória de cálculo, audite a base e apresente contraproposta com alternativas de gestão de risco.
4) Trocar de operadora resolve o problema?
Ajuda no curto prazo se houver melhor rede/preço, mas sem gestão do uso a sinistralidade volta a pressionar.
5) Pequenos grupos têm regra diferente?
Grupos pequenos costumam ter menos poder de barganha e maior volatilidade; negociar rede, coparticipação e programas de saúde é ainda mais importante.
Conclusão e próximos passos
O reajuste do plano empresarial resulta de sinistralidade, inflação médica e demografia do grupo. Com dados auditados, negociação técnica e gestão de saúde, é possível reduzir o índice e garantir previsibilidade orçamentária.
Quer apoio? Nossa consultoria audita o índice, conduz RFP entre operadoras e implanta um plano de ação assistencial para estabilizar custos.
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