Resposta curta: não existe um único índice “oficial” para todos os planos empresariais. O percentual é definido pelo contrato e pela operadora (ou seguradora), normalmente com base em sinistralidade, variação de custos médicos (VCMH) e composição do grupo.
Este guia explica como o índice é formado, como descobrir o seu, e o que dá para negociar.
Índice
- Não existe um índice único para empresariais
- Como o índice costuma ser calculado
- Reajuste anual × reajuste por faixa etária
- Diferenças por porte do grupo (pequeno × médio/grande)
- Data-base, prazos e comunicação
- Como descobrir o índice do seu contrato
- Como auditar o percentual recebido
- O que dá para negociar
- Perguntas frequentes
- Conclusão e próximos passos
Não existe um índice único para empresariais
Ao contrário dos planos individuais/familiares, que possuem um teto anual divulgado pela regulação, os planos coletivos empresariais seguem regras contratuais e negociais. Assim, duas empresas distintas podem receber percentuais diferentes no mesmo ano, mesmo estando na mesma operadora.
Em todos os casos, a operadora deve informar e justificar o reajuste, seguindo as cláusulas da apólice e as obrigações de transparência aplicáveis.
Como o índice costuma ser calculado
Há três vetores principais que influenciam o aumento das mensalidades nos coletivos:
- Sinistralidade do grupo (quanto o grupo usou × quanto pagou);
- VCMH (variação de custos médicos e hospitalares — “inflação médica”);
- Composição do grupo (entradas/saídas, redes contratadas, acomodação, reembolsos e políticas de coparticipação).
Fórmula ilustrativa (exemplo geral, pode variar por contrato)
Índice anual ≈ VCMH projetado
+ Ajuste de Sinistralidade (se sinistros > patamar contratual)
± Ajustes técnicos (rede/acomodação/benefícios)
Sinistralidade (definição simplificada)
Sinistralidade (%) = (Despesas assistenciais do período ÷ Prêmio arrecadado no período) × 100
Observação: a sua apólice pode usar gatilhos (faixas) ou métodos atuariais próprios para transformar a sinistralidade em percentual de reajuste.
Reajuste anual × reajuste por faixa etária
- Reajuste anual: aplicado ao contrato (todas as vidas) na data-base de renovação.
- Reajuste por faixa etária: aplicado a cada beneficiário quando muda de faixa prevista na tabela do produto (ex.: 19, 24, 29, 34, 39, 44, 49, 54, 59 anos, conforme o plano). É independente do reajuste anual.
Diferenças por porte do grupo (pequeno × médio/grande)
- Grupos pequenos (ex.: até ~29 vidas): costumam seguir regras específicas de agrupamento de risco e políticas padronizadas pela operadora, para reduzir volatilidade.
- Grupos médios/grandes (ex.: ≥30 vidas): tendem a ter negociação direta, com maior peso de sinistralidade do próprio grupo e customizações (rede, reembolso, programas de saúde).
Quanto maior o grupo, maior a possibilidade de negociar metodologias e contrapartidas.
Data-base, prazos e comunicação
- Data-base: mês de aniversário do contrato (12 meses de vigência).
- Comunicação: a operadora envia carta de reajuste com o percentual e a memória de cálculo (ou sumário técnico).
- Vigência: o novo valor passa a valer na competência indicada na carta.
Como descobrir o índice do seu contrato
- Procure a carta de reajuste enviada pela operadora ou pelo corretor/consultoria (e-mail/portal PJ).
- Verifique a apólice (condições gerais e aditivos) para entender a metodologia prevista.
- Confira a memória de cálculo (sinistros por competência, prêmio arrecadado, eventuais exclusões de efeitos).
- Compare nas faturas: identifique a virada da competência e a aplicação do novo valor.
- Peça esclarecimentos formais se a metodologia não estiver clara.
Checklist rápido
- Percentual aplicado (x%) e data-base correta;
- Metodologia (VCMH, gatilhos de sinistralidade, ajustes de rede);
- Base de vidas usada no cálculo (entradas/saídas, dependentes);
- Eventos atípicos desconsiderados ou tratados à parte (alto custo, upgrades).
Como auditar o percentual recebido
- Reúna dados: faturas 12 meses, relatórios por beneficiário, extratos de coparticipação e reembolsos.
- Recalcule sinistralidade por competência e compare com a memória enviada.
- Cheque a base: elegibilidade (entradas/saídas), faixas etárias e eventuais carências.
- Separe efeitos: upgrades de rede/acomodação e migrações que não deveriam contaminar o índice.
- Documente divergências e solicite revisão técnica, se necessário.
O que dá para negociar
- Coparticipação calibrada (sem punição): reduz prêmio fixo e incentiva uso consciente.
- Rede adequada ao perfil: ajustar hospitais premium/segmentação para reduzir pressão de custo.
- Programas de saúde: crônicos, saúde mental, telemedicina, pronto atendimento digital.
- Cláusulas técnicas: gatilhos de sinistralidade, exclusão de outliers, franquias/reembolsos.
- Concorrência: RFP com 2–4 operadoras para obter alternativas técnicas e comerciais.
Perguntas frequentes
Existe “índice ANS” que vale para todo plano empresarial?
Não. O teto anual divulgado pela regulação aplica-se aos planos individuais/familiares. Nos empresariais, o percentual decorre do contrato e da negociação.
Meu contrato pequeno (poucas vidas) segue outra regra?
Em grupos pequenos, as operadoras costumam usar políticas padronizadas e agrupamento de risco para reduzir variações extremas.
Reajuste por faixa etária é a mesma coisa que reajuste anual?
Não. Faixa etária ocorre por beneficiário quando muda de faixa; o anual incide sobre o contrato na data-base.
Posso contestar o índice?
Sim. Peça a memória de cálculo, audite os dados e proponha alternativas (rede, coparticipação, programas de saúde) para revisão.
Trocar de operadora resolve?
Pode ajudar no curto prazo, mas sem gestão de uso e rede adequada a sinistralidade volta a pressionar.
Conclusão e próximos passos
Nos empresariais, não há um índice único: o percentual depende da sua apólice, do uso do grupo e da inflação médica. Para ganhar previsibilidade, entenda a metodologia, audite dados e negocie contrapartidas técnicas com a operadora.
Quer apoio? Fazemos a auditoria do seu reajuste, comparamos propostas e desenhamos um plano de ação assistencial para estabilizar custos.
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